A forma como as pessoas doam mudou. O que a sua organização tem a ver com isso?
Redes sociais e o impacto no terceiro setor
Você já ouviu falar em algoritmo da empatia? Antigamente, para uma causa ganhar um boom de doadores, era preciso aparecer na TV, fazer grandes campanhas publicitárias ou ter uma celebridade de peso por trás. Hoje, na era dos smartphones e das redes sociais, o algoritmo aproximou as pessoas das causas como nunca antes.
Pix, algoritmo e transparência radical
Atualmente, um doador pode ajudar sem precisar levantar do sofá. Com o Pix, uma doação acontece em instantes, consolidando-se como o meio absoluto de arrecadação no Brasil. Segundo dados recentes, cerca de 40% das contribuições individuais já são feitas por essa via, graças à sua praticidade imbatível. Mas existem outros caminhos em ascensão: vaquinhas online, arredondamento digital e doação automática no cartão de crédito.
Nunca esteve tão fácil ajudar o próximo. Por outro lado, essa facilidade gera uma exigência muito maior por parte de quem doa. Há um clamor por transparência: os doadores querem saber exatamente para onde vão os valores e exigem indicadores que demonstrem como o projeto está, de fato, impactando e transformando vidas.
A crise da fidelidade: a economia da atenção como o "novo petróleo"
Como bem definiu o economista Herbert Simon, "a riqueza da informação cria a pobreza da atenção". O grande desafio em 2026 é que uma ONG não compete apenas com outras ONGs, ela concorre com o vídeo de gatinho, a dancinha do TikTok, a notícia urgente e o anúncio de um e-commerce.
A atenção média do ser humano caiu para cerca de oito segundos, o que mudou drasticamente a forma como as organizações se comunicam. Hoje, a estratégia mais efetiva é criar uma comunidade fiel nas redes sociais, pois é essa base que irá espalhar a sua mensagem organicamente. Ou seja, a sua causa, por maior e mais digna que seja, precisa caber nesses poucos oito segundos iniciais. Se a organização não cativa o doador logo de cara, perde a oportunidade.
Esse excesso de informações gera o que chamamos de "fadiga por compaixão": o usuário é tão bombardeado pelos problemas do mundo no feed que acaba paralisando e não doa para ninguém.
A saída é saber contar uma boa história
Para vencer essa fragmentação digital, as ONGs precisam adotar o storytelling imersivo como ferramenta de conexão real. O cérebro humano não consegue processar o sofrimento de 1 milhão de pessoas de forma palpável, isso vira apenas uma estatística, mas ele se comove e se mobiliza com a história de uma única pessoa. A prova viva disso é a famosa foto da 'Menina Afegã'. Durante a guerra soviético-afegã, foi o rosto de uma única criança que fez o mundo inteiro prestar atenção no drama de milhões de refugiados no Paquistão.
Assim, a sobrevivência das causas hoje depende da habilidade de transformar dados frios em narrativas autênticas, capazes de tirar o doador da inércia do feed e torná-lo o verdadeiro protagonista da mudança.
Esse conteúdo tem o apoio de:
Arredondar, ABCR, Rede Filantropia e Instituto Ação Pela Paz.
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